Pastor Vitor Belfort diz que perdoou assassinos da irmã e rejeita busca por vingança

itor Belfort já viveu muitos altos e baixos dentro do octógono. Mas nada na vida do lutador o afetou tão profundamente como o desparecimento da irmã Priscila, nove anos atrás. Em entrevista ao O Fuxico Gospel , o ex-campeão do UFC falou abertamente sobre a tragédia familiar, disse que perdoou em seu coração os assassinos dela e que não busca qualquer tipo de vingança. “Tentava lembrar de todo mundo que eu já tinha magoado e de quem já tinha me magoado e também perdoei. Depois, essa voz falou: ‘Você não perdoou todo mundo, falta mais alguém’. Eu fiquei chorando alto e brigando.
Primeiro, eu falava que não ia perdoar, depois já falava que não conseguiria perdoar”, afirmou o cristão Belfort, citando como ouviu a voz de Deus. “Foi então que ele disse que me daria esse perdão. Era Deus que os julgaria e não eu. Então consegui perdoá-los. Não tenho desejo ruim nenhum, nada de vingança”, completou o atleta, lembrando que uma mulher chegou a confessar há alguns anos ter matado Priscila com outros quatro comparsas. Sem oponente definido no UFC, Vitor Belfort também falou dos boatos recentes de que teria testado positivo no exame antidoping do UFC São Paulo e negou o uso de qualquer substância proibida. O carioca ainda voltou a questionar as qualidades de Chael Sonnen como lutador, mas admitiu que ele é um bom homem do entretenimento. Confira os principais trechos da entrevista:


Getty Images
Vitor Belfort comemora vitória no UFC São Paulo

O Fuxico Gospel: Como você recebeu os boatos de que teria testado positivo no exame antidoping do UFC São Paulo?
Vitor Belfort: O (Michael) Bisping disse que estava torcendo para eu não tivesse (usado doping). Não vou dar atenção a uma coisa assim. Dar atenção a boatos é viver da mentira, e eu vivo da verdade. A verdade é que fiz o exame de sangue antes de entrar no octógono e deu tudo certo. Não tomei nada, não fiz nada. Faço as coisas certinhas.
O Fuxico Gospel: Mas você faz tratamento de reposição hormonal?
Vitor Belfort: Meu tratamento é o treinamento. Muito treinamento, força, dedicação... Tenho médicos, nutricionistas e acompanhamento de vários profissionais que estão ao meu redor fazendo tudo certo. Os lutadores são examinados do nada, constantemente. Fiz dois exames antes da luta e deu tudo certo. Mas é obvio que quando o cara perde, fica incomodado. Sou um atleta de 36 anos chegando e incomodando essa nova geração. Literalmente o tirei do title-shot. Eu merecia um pouco mais de respeito, mas nem todo mundo pensa assim.
O Fuxico Gospel: É verdade a história que o Dana White estaria disposto a te dar uma nova chance contra o Anderson Silva, mas o campeão rejeitou e é por isso que você não terá a luta agora?
Vitor Belfort: Não, não chegou nada no meu ouvido. Mas eu não sei, é muita política. Agora estou de férias, nem quero saber disso. Tenho um escritório que cuida da minha carreira e dessa parte. Eu me excluo disso. Sou um cara com outros negócios e investimentos que eu gosto. Mas como aqui sou uma espécie de soldado, prefiro não controlar algumas coisas para não perder o foco. O meu foco é treinar e estar preparado para o que der e vier. Na minha cabeça posso enfrentar qualquer um. Não penso em ir pelo caminho mais fácil. Penso que eu treinado ganho de qualquer um.
O Fuxico Gospel: Você está de férias agora, mas se envolveu após a vitória no UFC SP citou dois lutadores: Chael Sonnen e Jon Jones. Você vai assistir ao reality show com ambos que começou agora nos EUA?
Vitor Belfort: Não sei. Assisti uma vez. O Chael Sonnen é um homem do entretenimento mesmo. Tem que ver o lado bom dele. Na frente das câmeras, ele fala bem, entretém. Acho que funciona melhor até como repórter. É isso o que ele quer e buscou o tempo inteiro também. Não é uma luta que eu esperava (Sonnen x Jones). Vai ser interessante pelo lado provocativo dele. Mas como atleta não vejo o merecimento dele, ele só perdeu. Perdeu do Bisping e deram a vitória roubada, perdeu do Anderson. Mas ele é um grande wrestler e vai pra cima, talvez tenha algum merecimento.


Rodrigo Farah/iG
Acompanhado da esposa Joana Prado, Vitor Belfort mostra o livro que lançou

O Fuxico Gospel: No livro lançado no ano passado, você falou abertamente do sequestro da sua irmã Priscila e revelou que a investigação policial cogitava estupros em dias seguidos e assassinato. Por que decidiu se abrir na publicação?
Vitor Belfort: Todo mundo passa por dificuldades na vida. Hoje em dia quando olho para algumas pessoas, tenho tendência a perguntar “Qual foi a maior dificuldade que você já passou?”. Alguns falam a verdade e outros falam mentira. Eu não falaria. Aprecio a sinceridade e o fato de poder abrir meu coração. Não tenho vergonha de me expor para ajudar os outros. Não tenho vergonha das coisas que aconteceram comigo. Até porque errar é humano, não somos perfeitos. Alguns acham que, pelo de fato de ser cristão, tenho que ser Deus. E não é isso. Ser cristão é reconhecer seu erro e mudar a direção. O sofrimento pode produzir frutos ou não. Pode te fazer crescer ou trazer amargura. Foi um episódio muito difícil e eu consegui superar. Anteontem, até sonhei com a minha irmã e foi um sonho perfeito. Acordei com um pouco de amargura, mas no sonho consegui vê-la, entendê-la e saber que ela está descansando e está bem. A vida é isso.
O Fuxico Gospel: Você perdoaria os assassinos da sua irmã?
Vitor Belfort: Eu perdoei. Teve uma noite depois de me converter em que queria justiça, mas escutei uma voz de Deus que falou assim: “Vamos começar a justiça com você”. Eu não escutava essa voz, mas eu a sentia. E essa voz disse que eu começaria a pedir perdão pelo o que fiz. Comecei a lembrar de várias coisas minhas... de meninas e amigos que eu magoei, coisas pequenas, e fui pedindo perdão. Eu tentava lembrar de todo mundo que eu já tinha magoado e de quem já tinha me magoado e também perdoei. Depois, essa voz falou: “Você não perdoou todo mundo, falta mais alguém”. Eu fiquei chorando alto e brigando. Primeiro, eu falava que não ia perdoar, depois já falava que não conseguiria perdoar. Foi então que ele disse que me daria esse perdão. Era Deus que os julgaria e não eu. Então consegui perdoá-los. Não tenho desejo ruim nenhum, nada de vingança. A minha vingança tem que ser em Deus.
Com informações/IG


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